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Entrevista: Micael Bretas

Micael Bretas, autor do conto A mulher que matou o topshooter, publicado na coletânea Contos do Além-Mundo, conta que começou a escrever na escola, ainda criança, mas antes de se apaixonado pela literatura, ele era apaixonado por história no geral. “Acho que minha memória mais antiga de algo que escrevi é de uma autobiografia na segunda série, quando eu tinha oito anos. A professora fez um elogio público do meu texto, e eu percebi que gostava de escrever e talvez tivesse alguma vocação. Sempre li muito gibi, mas não tantos livros. Comecei a me interessar então por crônicas. Lia crônicas do Fernando Sabino, Carlos Drummond, e do meu autor preferido na época: Luís Fernando Veríssimo. Li muito Comédias da Vida Privada entre os dez e os onze, e gostava de tentar escrever como ele, com cenas curtas e cheias de diálogo”, lembra o autor. Com textos espalhados pela internet, em blogs e outros, e um curta publicado em uma revista, A mulher que matou o topshooter é a sua primeira publicação em livro. “Antes de gostar de ler, era apaixonado por assistir.” Formado em jornalismo, Micael queria trabalhar com cinema ou TV, pensou em ser roteirista, mas se interessou mais em criar um produto artístico do começo ao fim. “Para fazer qualquer tipo de produção audiovisual é necessário muito dinheiro e gente qualificada e afinada. Ainda é algo que me fascina, mas percebi que é uma área cheia de limitações práticas. Na literatura, ao terminar meu trabalho, tenho um produto finalizado, pronto para ser apresentado ao público. Entendo a arte como um processo de comunicação e troca, uma maneira de dizer o indizível, uma proposta de reflexão conjunta. Claro, ainda existe a figura da editora, que media esse acesso. Mas é muito mais simples do que toda a cadeia necessária para viabilizar um produto audiovisual. Além disso, o mais divertido é que quando estou escrevendo literatura não tenho que me preocupar com restrições de orçamento”, contou Micael. Atualmente, Micael está escrevendo o seu primeiro romance, mas adianta que o processo é demorado. “Estou há dois anos com esse projeto, e acho que ainda demoro pelo menos mais um, possivelmente mais”, relatou ele, que quando viu a proposta do Coletivo, quis criar um conto original e situá-lo no contexto do livro que vem trabalhado. “A escrita do conto em si levou cinco dias, mas não poderia ter acontecido se não fossem os dois anos de planejamento para criar esse universo”. Para escrever Micael relata que começar a escrever e ter um trabalho finalizado pode ser caótico, mas é preciso continuar e ter disciplina para escrever todos os dias. “Uma grande epifania minha foi notar que a melhor forma de lidar com a escrita é tratá-la como uma escultura. Primeiro você cria um bloco disforme, o seu primeiro rascunho. Ele é intuitivo, passional, talvez até visceral. É mal escrito, mal construído, mas é, me parece, o único ponto de partida possível. E então começa o trabalho de reescrita, de esculpir o que vai ser o produto final. Escrever é reescrever. É um trabalho de formiga, e demanda resiliência. Sinceramente, os dias em que escrever é doloroso e difícil são mais numerosos pra mim do que os outros. Mas quando é bom, é muito bom, e parece compensar todo o resto. Ter algo finalizado nas mãos e mostrar para os outros então, é um prazer indescritível”. A Coletânea Contos do Além-mundo já está disponível para compra na Amazon (clique aqui) e no nosso site (clique aqui).

O desconforto da zona de conforto

Autores devem ser honestos. Acima de tudo, devem ser honestos consigo. E, sendo honesta, preciso abrir meu coração hoje: sofro do Perigo Monotemático da Escrita. Você conhece esse termo? Não? Pois bem, acabei de inventá-lo. Você, que já tem me acompanhado por aqui, sabe que eu amo e sou apaixonada por escrever sobre… escrever; o processo, as fontes de inspiração e o que move a escrita. Entretanto, tenho me sentido um tanto quanto presa nesse perigo que me ronda. Eu sei que devemos escrever sobre o que sabemos bem para que não haja equívocos no meio do caminho, mas me pergunto há quanto tempo eu tenho feito de tal tema a minha zona de conforto, o meu refúgio onde eu sei qual será o caminho trilhado do início ao fim. E, então, penso que a escrita deveria ser tudo, menos um lugar de conforto. A escrita conforta, mas também confronta. Manejá-la para que seja um lugar já conhecido é um crime, um pecado capital, uma blasfêmia aos deuses da escrita. Enquanto eu lutava para decidir o que escrever, fui pega dançando entre os temas que já eram velhos amigos; muito simpáticos, mas que moravam aqui sem pagar o aluguel. Decidi ser honesta. Os envolvi no melhor abraço que poderia ter, agradeci pelas histórias e caminhos que traçamos juntos e me despedi como quem se despede de um amor que será eternamente lembrado. Como autora, me proponho a arriscar. A não ter medo do dom divino que me foi dado. Afinal, seria inaceitável reduzir tal virtude a algo ordinário e engessado. Nestes tempos em que não temos mais certeza do amanhã, nós devemos arriscar. Arriscar, principalmente, em nossa maneira de transformar o mundo com nossas palavras. Nossa escrita deve proporcionar a mesma sensação de um primeiro beijo, deve possibilitar a mesma emoção do pôr do sol mais lindo que já vimos. Nossa escrita precisa nos proporcionar vida, movimento e frescor. Caso você esteja na crise do Perigo Monotemático da Escrita, saiba que não está sozinho. Saiba que é normal, é recorrente, mas entenda que não é um lugar de permanência. Você precisa parar para balanço a fim de reconhecer que somos seres mutáveis e nosso ofício deve ser transformado, também. Assuma riscos. Escreva algo que você nunca escreveu, escreva sobre algo que você não suporta, odeie o que você escreveu, mas use isso como meio de crescimento enquanto autor. Pegue esta arte e faça dela a coisa mais louca, selvagem e singular que você possa criar. Arrisque, arrisque e arrisque.

Resenha: Solaris

É difícil se envolver com o universo da Ficção Científica e não ouvir falar de Solaris. Publicada originalmente em 1961, assinada pelo polonês Stanislaw Lem, a obra é referência no gênero e merece toda a fama que tem. Do livro vieram três adaptações cinematográficas, com destaque para a de 1972, de Andrei Tarkovski, e a de 2002, de Steven Soderbergh. Sinopse: O livro traz a história do cientista Kris Kelvin, psicólogo que vai ao planeta Solaris para estudar um oceano vivo – e possivelmente inteligente – que cobre a sua superfície. Mas ao chegar na estação espacial, Kelvin encontra colegas de trabalho hostis e amedrontados. Logo ele descobre que esses respeitados cientistas estão sendo perturbados por estranhas aparições, que também começam a afetar sua própria percepção. O que ele vê são suas memórias mais obscuras e reprimidas, materializadas por obra de alguma misteriosa força atuante no planeta. Clássico e favoritado: Solaris apresenta uma história de muitas camadas, apesar de a trama transcorrer num curto período e sob o viés de um único personagem (que é o narrador). E aí que é o tipo de livro que se abre em tantas frentes quanto mais o leitor se dedica à leitura - e é uma leitura tão recompensadora que seria um pecado literário reservar o livro para aquela leitura dissipada feita junto à cabeceira da cama até pegar no sono. Em termos grosseiros, dá para dividir as camadas em dois grandes grupos: as de toque pessoal (puxando pro drama) e as de toque coletivo (puxando pras temáticas típicas de ficção científica). As camadas de toque pessoal fazem refletir sobre coisas que vão de amor à culpa (e estes extremos podem ser quase nada distantes). Passam também pela memória e pelo inconsciente, relacionando-os à história subjetiva que cada pessoa carrega, em particular com o modo como as subjetividades são habitadas por terceiros. Aliás, para quem curte uma viagem com diversas paradas em pontos psicológicos, o livro é uma pedida e tanto. Em paralelo, temos as camadas com o toque coletivo remetendo às questões típicas do gênero FC. Porém, mesmo sendo tais questões hoje um tanto batidas, Solaris as projeta com força: o que a humanidade busca no espaço? Que sentido (ou falta de) estamos dispostos a encarar como resultado dessa busca? Até que ponto essa busca vai compensar nossa falta de autoconhecimento? E o ápice da trama entrega uma patada filosófica exemplar que oscila entre o voto de fé absoluta e o niilismo mais cru possível. Partimos para o cosmos, prontos para qualquer coisa: para a solidão, para o sofrimento, para o cansaço, a morte. A modéstia nos impede de dizer, mas há momentos em que fazemos um belo conceito de nós mesmos. E mesmo se examinarmos mais detalhadamente isso, nosso entusiasmo mostra-se uma impostura. Nós não queremos conquistar o cosmos, nós simplesmente queremos estender os limites da Terra às fronteiras do cosmos. Para nós, tal planeta é tão árido quanto o Saara, um outro tão gelado quanto o Pólo Norte, um terceiro tão viçoso quanto a bacia do Amazonas. Somos humanitários e quixotescos, não queremos escravizar outras raças, queremos simplesmente legar-lhes nossos valores e em troca tomar posse de sua herança. Imaginamo-nos como Cavaleiros do Santo Contato. Esta é uma outra mentira. Estamos somente procurando o Homem. Não temos necessidade de outros mundos. Precisamos de espelhos. Não sabemos o que fazer com outros mundos. Basta-nos um único, o nosso próprio; mas não podemos aceitá-lo tal como é. Estamos procurando uma imagem ideal para nosso próprio mundo: vamos em busca de um planeta, de uma civilização superior à nossa própria, mas desenvolvida na base de um protótipo do nosso passado primário. Ao mesmo tempo, existe algo dentro de nós que nós não gostamos de enfrentar, algo do qual tentamos nos proteger, mas que no entanto subsiste, já que não saímos da Terra em um estado de inocência primária. Chegamos aqui como somos na realidade e, quando a página é virada e esta realidade nos é mostrada - esta parte da nossa realidade que nós preferíamos ignorar em silêncio - então nós já não mais gostamos dela. Solaris, p. 81. Surge então uma reflexão implícita e sutil sobre a moral. Na verdade, essa reflexão pode mesmo atuar como o cimento das camadas pessoal e coletiva abordadas na história. Isto é, diante da realidade e dos fenômenos do planeta Solaris, o que é certo, justo ou correto? E se a experiência proporcionada pelo planeta for somente a oportunidade para outra das mesquinharias possessivas de uma humanidade egoísta e solitária? Entretanto, não desanime. Mesmo que essa resenha possa sugerir o contrário, não, não é um livro cabeção (no sentido intelectual e pejorativo). E está longe de ser chato. Aliás, a leitura tem boa dose de suspense e mistério, o que em si já compensaria caso houvesse momentos cabeção. O que existe no livro são momentos de FC hard em que, como técnica narrativa (e coerente com o protagonista, que é um pesquisador), abundam descrições mais formais e academicistas emulando justamente uma abordagem acadêmica (com direito a revisão bibliográfica). Contudo, são trechos justos, que fazem a história progredir, portanto assimiláveis pelo leitor e bem encaixados no enredo. Resumindo? Baita livro, favoritado, e colocado com muito carinho na estante. Imperdível aos fãs do gênero FC.

Entrevista: Cecilia Bortoli

Não dá para escrever uma boa história sem antes ler muitas boas histórias. Cecilia Bortoli, autora do conto Expresso Turístico, lê e escreve desde adolescente e até escrevia para um blog alguns pequenos contos, mas foi mais tarde em sua vida, já com vinte e poucos anos que se apaixonou pela literatura fantástica. “Quando adolescente gostava muito de livros policiais, terror, ficção científica e de gêneros relacionados ao drama. Gostava de ler biografias dos meus ídolos da música também. Mas foi quando tive contato com a fantasia, com Borges e Cortázar que fiquei apaixonada por esse tipo de história e percebi que era uma ótima maneira de encaminhar milhares de coisas que ficam na cabeça”, contou Cecilia. Paulista, educadora musical e amantes de diversos tipos de arte além da literatura, como música, teatro e pintura, Cecilia conta que seu processo criativo acontece de várias formas, sem algo definido ou um padrão: “Acontece de eu ter uma ideia e precisar escrever na hora se for texto ou gravar na hora se for música. Tem também os exercícios de improvisação. De tentar fazer alguma coisa com um pano de fundo pré-definido. Por exemplo, gostei do universo de algum conto que eu li e tento escrever algo que dialoga com isso. Às vezes surgem coisas originais, às vezes fica mais no exercício de escrita mesmo. Gosto de separar algumas horas para escrever na semana. Quantas horas eu vou usar vai depender do meu objetivo naquele momento e também de quanto estou exigida nas outras atividades. Gosto também de escrever pensamentos em um caderno. Às vezes releio e acabo criando algo a partir de um pensamento que surgiu há anos atrás.”, explicou. Sobre a escrita dos contos, Cecilia afirma que por gostar de ler nesse formato, acaba tendo mais referências. E um fato interessante sobre a escrita de Expresso Turístico, conto publicado na coletânea Contos do Além-mundo, do We Coletivo Editorial, é que a autora não imaginou os personagens e as cenas como pessoas realistas, mas como pinturas de aquarela. “Não acontece sempre. Mas sim, eu adoro aquarela, apesar de não saber pintar”! Para escrever Para quem quer escrever, a dica é a que todo aspirante a autor já ouviu ou leu por aí: sentar e escrever. “Além de manter leituras dentro dos estilos que a pessoa gosta é importante buscar diversidade também. E ter coragem para mostrar o que a gente escreve para as pessoas, ficar de olho em possibilidades para publicação – caso a pessoa queira publicar algo – e tomar cuidado com um possível excesso de sensibilidade à avaliação alheia. Acho que o medo acaba impedindo as pessoas de se deixarem ler”. O conto Expresso Turístico, de Cecilia Bortoli está na coletânea Contos do Além-Mundo que reúne contos de 15 novos autores brasileiros e já está em disponível aqui no site do Coletivo e na Amazon.

O que leva um texto a não ser aprovado pela editora?

É bem verdade que ter o texto rejeitado por uma editora pode acabar balançando a autoestima de um escritor, fazendo com que se questione quanto a sua própria habilidade. Aí fica aquela dúvida: meu texto não foi aprovado, será que sou horrível? Nenhum texto é tão horrível que não possa ter salvação, mas, na verdade, cada caso é um caso, e é preciso muito mais objetividade que humildade para entender qual é o seu – e a linha, meus chegados, é muito tênue. Também há uma questão muito específica: o que as editoras procuram? Neste post, vamos conversar um pouquinho sobre coisas que fazem com que, de cara, um texto não seja aprovado. Gênero incompatível Essa é a regra mais básica e que, pasmem, muita gente deixa passar batido. Ao enviar um texto para análise, procure ver se o gênero da sua obra está nivelada com o que a editora procura. Se, por exemplo, o edital procura obras de gênero cômico, você não pode enviar um drama familiar e esperar que o texto seja aprovado. Descuido com a narrativa Escrever não é nenhum bicho de sete cabeças, mas também não devemos balizar o ofício: há uma imensa diferença entre escrever uma frase que faça sentido e desenvolver uma narrativa coerente que engaje seus leitores, podendo, assim, suscitar diversos sentimentos – sentimentos esses que VOCÊ almeja causar através de sua escrita. Há um objetivo para cada palavra no texto. Veja bem: você não precisa ser uma Maria Aparecida Paschoalin da vida, mas também há de se ter o mínimo de cuidado com a sua maneira de escrever uma história – erros gramaticais, frases sem a menor pontuação e incoerências da narrativa diminuem em muito suas chances de ter o texto aprovado. Ao terminar o seu texto, pergunte-se: se eu não fosse o autor desta história e a estivesse lendo, o que eu escrevi faria sentido? Personagens perfeitos... e completamente chatos Sejamos sinceros: todos nós temos aqueles personagens John Doe e Mary Sue que amamos, mas é verdade que há muito esses arquétipos de perfeição deixaram de engajar leitores. Hoje, procuramos nos identificar com personagens: seja por seu corpo fora do padrão, seus modos nada convencionais ou seus defeitos que os tornam mais humanos. Mesmo que sua heroína salve o continente, ela ainda é humana, ainda sangra, acorda com mau hálito e pode ter alguma mania estranha. Se seu personagem é o epítome de perfeição e não se desenvolve ao longo da narrativa, como poderíamos nos ligar a ele? Nesse momento, você me pode dizer “mas, Micaela, meu texto parece estar ok e, ainda assim, não foi aprovado. Sou uma fraude?” Não. Se seu texto não encontrou casa numa editora, continue tentando: ele pode encontrar abrigo em alguma outra. Mantenha em mente que você já é vencedor por ter terminado uma história, mesmo que ela não seja perfeita. Edite, faça melhorias, o que achar que deve, e a coloque no mundo. Mesmo que doa, algumas rejeições servem para nos ajudar a melhorar uma obra – outras, apenas para fazer com que continuemos tentando. Muitas obras que hoje são sucesso mundial foram rejeitadas inúmeras vezes, então, tenha a mente aberta para saber o que melhorar no seu texto, mas não deixe de tentar. Alguém quer ouvir sua história.

Entrevista: Alexandre Sant’Anna

Literatura, todos sabem, não é bom negócio. Quem a pratica, o faz por paixão. Alexandre Sant’Anna, historiador e bancário há quase 10 anos, levou tempo para entrar nesse mundo, mas uma vez dentro dele, não há saída. Alexandre é autor do conto Única Fuga Possível, publicado na coletânea Contos de Além-Mundo, do We Coletivo Editorial. Alexandre se apaixonou pela literatura há 14 anos, antes, ele conta, no máximo “possuía um bom gosto para filmes”. As coisas mudaram para ele em 2002, quando se mudou para Paranaguá, no Paraná, e entrou na faculdade de história. “Antes de me mudar eu era um operário de fábrica e um quase total alienado. Sempre fui um bom contador de histórias, porém não escrevia nada”, contou ele. Quando entrou na faculdade, logo no primeiro semestre, lançou um mini jornal com um colega de classe, onde, com textos reduzidos, falavam sobre música, cinema e cotidiano em geral. Como crescimento do projeto, Alexandre decidiu escrever sempre que pudesse, foi quando começou a se arriscar na ficção. Em 2006 participou da sua primeira coletânea de Ficção Científica, mas não participou de nenhum outro após a graduação. “Quando me formei acabei virando um historiador compulsivo e fazendo textos sobre a história da cidade. Só em 2014 que participei novamente em um concurso regional. E depois continuei com minhas pesquisas, textos sobre a cidade e algumas palestras, mas nunca deixei de imaginar histórias de ficção. Este ano eu comecei a procurar concursos de contos e decidi escrever e enviar meus trabalhos”, falou ele, que encontrou o We por meio de um site de seleções literárias. Alexandre também já lançou um livro sobre a primeira poetisa do Paraná, em 2017, por uma editora artesanal, além de artigos sobre história pelo jornal do Centro de Letras de Paranaguá. Única Fuga Possível Única Fuga Possível, conto publicado pelo We, narra a história de uma garotinha que, sem memória e perdida em uma estação de trem de uma colônia lunar, precisa da ajuda de um robô e de uma idosa para reencontrar seus pais e retornar para casa. Sant’Anna diz que uma das suas dificuldade ao escrever esse conto foi decidir a idade da protagonista, “pois é uma sociedade sem o conceito de infância como nós conhecemos. Deste modo, primeiro pensei em torno de 15 ou 16 anos, mas, então, lembrei no início do Capitalismo, quando crianças de 5 a 7 anos já trabalhavam e decidi reduzir um pouco”, disse ele. Sobre o seu processo de escrita, Alexandre afirma que fica um longo tempo planejando a história em sua cabeça antes de começar a escrever: “Primeiro penso muito sobre a história, montando tudo mentalmente, imaginando a questão da luz e da sombra, dos sons, das cores, dos cheiros, dos cenários. Após pensar bastante, eu sento para escrever. Tento escrever tudo de uma vez só. Fico no mínimo dois dias sem voltar ao conto. Só depois eu começo a lapidar a escrita, tratar os diálogos, procurar os furos, etc. Esta parte é a mais demorada”. Sobre contos, ele diz amar a liberdade de imaginação para fazer críticas. “O conto permite tratar de assuntos diversos, mas de uma forma mais agradável ao leitor, mesmo que seja uma história deprimente. Em Única Fuga Possível, eu trabalhei bem nas críticas das entrelinhas, pois, apesar de ser uma ficção científica que acontece nos confins do universo, na verdade, estou falando de nós como sociedade.”, relatou ele. O conto Única Fuga Possível, de Alexandre Sant’Anna está na coletânea Contos do Além-Mundo, que reúne contos de 15 novos autores brasileiros e já está em disponível no site do We (clique aqui para comprar) e na Amazon (clique aqui para comprar) .

Escrevendo várias histórias

Escrever um livro, um poema ou um conto pode ser por si só uma tarefa bem frustrante. Você tem uma ideia, algumas linhas e detalhes surgem, mas, assim que você se depara com o cursor do Word ou o papel em branco, sua mente congela, e você começa a se questionar, qual o título? Qual o começo certo, como serão as primeiras linhas? Se isso pode ser uma tarefa complicada, imagine a simples ideia de escrever várias histórias simultaneamente... O objetivo desse artigo é: ● Tirar sua ideia do papel; ● Te dar métodos diferentes para escrever; ● E claro, escrever simultaneamente. O Começo: Ao escrever qualquer coisa, eu me sinto como um desenhista que começa com um traço e não sabe onde isso irá acabar. Mas a parte mais interessante da escrita é o processo do flow: começar a escrever e entrar em um estado de imersão tão profundo que, ao acabar, você olha pro resultado, sente um orgulho e até se pergunta se foi realmente você. Pois bem, ao longo do tempo tenho percebido que o processo de escrita funciona muito mais como uma jornada, na qual, independente de você ter começado pelo primeiro poema ou pelas primeiras linhas do livro, à medida em que escreve, é como se a obra ganhasse uma espécie de vida. Assim, pouco a pouco, a mesma obra parece nascer, como se falasse com você, como se fosse mais um personagem de uma narrativa fantástica. Por enquanto, eu poderia apontar alguns princípios que te ajudariam nessa jornada literária: a) Imersão com a escrita; b) Começar com o que você tem; Por exemplo, a imersão, juntamente com as primeiras ideias que você tem, possuem o poder de te teletransportar para sua história, logo, o que eram algumas linhas, se tornam páginas, que se tornam capítulos e assim por diante. c) O que nos leva ao terceiro ponto: poesia. Apesar de intrigante, também é o conselho de um dos maiores escritores de ficção científica, Ray Bradbury. Ler poesia como uma forma de continuar inspirando seu trabalho, e não só isso, na poesia é muito fácil encontrar ideias que podem dar origem a um capítulo da sua narrativa, você pode captar palavras que lhe chamaram atenção, temáticas e a lista segue. Como fazer: Logicamente, existem três maneiras de criar um livro, isto é, para ser simplista. Assim, você pode optar pela pura imersão e escrita, que tende a funcionar em alguns casos. Por exemplo, Chuck Pallaniuk, escreveu Clube da Luta em apenas 1 semana, já O menino do Pijama Listrado foi escrito em impressionantes 48 horas, e até Mary Shelley se inclui. Outra forma clássica pode funcionar é o método Snowflake, isto é, começar com uma breve frase ou uma descrição do enredo, reescrever essa frase tantas vezes quanto possível até ir criando camada após camada. Dessa forma, você pode criar os personagens, os arcos, biografias para os personagens, e ir aprimorando cada vez mais. Essa é uma forma muito útil e prática, caso você sinta ansiedade durante o processo de escrita, e goste de ver o processo “bem redondo”. E, por último, você pode criar uma quantidade fixa de palavras por dia, de forma que possa escrever no seu ritmo e ir desfrutando desse processo. Foi dessa forma que construí diversos livros de poesia, durante esse ano de 2020, apenas adaptei a técnica para poder escrever “n” poemas por dia. Nessa imagem acima, você pode ver como funcionaria. Nos dias em que se sentisse apto, poderia escrever à vontade, enquanto que, nos outros dias, poderia escrever nada ou até mesmo dois ou três textos, assim, a vantagem é que alguns poucos dias podem compensar inúmeros outros. Ou seja, utilizando-se dessas técnicas, em questão de semanas, você pode ver um grande avanço na sua escrita e, logo, somente após ter finalizado, os textos entrariam no processo de revisão, ajuste de pontuação e assim por diante. Agora, com os métodos em mãos, fica mais fácil enquadrar sua escrita de poemas e/ou livros de ficção seguindo o modelo Snowflake, bastando reler seu trabalho e cumprir uma cota diária. Sendo assim, algumas coisas mais poderiam te ajudar a cumprir esse feito épico: criar esqueletos para suas narrativas/capítulos, fazer anotações nas laterais de seus textos para novas ideias e afins e lembrar de jamais copiar a você mesmo, pelo amor de Sauron. Seguindo esses modelos, a visão final do seu livro ficará mais clara, consistente, e melhor, à medida que tomar esses processos como seus, tudo ficará um pouco mais prático. Então, agora, é a sua vez de contar as histórias que esperam pelos seus dedos :) Você quer mandar o seu texto para ser publicado aqui no blog do Coletivo? Clica aqui!

Histórias assombradas para leitores quarentenados

Tem alguém animado para o Halloween aí? É finalmente o dia mais horripilante do ano! Nesse post aqui já demos um gostinho do que estava por vir, mas é agora que a verdadeira brincadeira começa! Para você que pretende passar esse momento da melhor forma possível, lendo, nós separamos uma lista matadora. Separe sua playlist, escolha seu veneno favorito e prepare-se para embarcar nessa viagem assustadora! Morte Pálida Autor(a): Lucas Dallas Número de páginas: 13 Sinopse: Dois garotos, num desafio de criança, entram num casarão abandonado que tem certa "má fama" entre os moradores da cidade. Lá, encontram um diário velho datado dos anos 50 que pertenceu a Carlota Josephina, uma funcionária que trabalhou na mansão quando ali funcionava um asilo. Não demorará aos garotos descobrirem que algo muito ruim aconteceu no local, algo que espreita entre os muros mofados e escuros.
A primeira edição desse conto foi publicada na antologia "Vampiro" da editora Empíreo. Onde conseguir? https://tinyurl.com/y27wa3qo O Caçador de Almas Autor(a): Babi Lacerda Número de páginas: 52 Sinopse: Nova Flor é uma cidade pequena, encantadora, cheia de segredos obscuros e marcada por duas mortes terríveis, uma delas a do pequeno Felipe, de apenas seis anos de idade. Elisa, Mateus e Giovanna, apesar de serem amigos desde a infância, carregam um passado sombrio e enigmático que após uma simples brincadeira típica de adolescentes, volta para persegui-los, trazendo à tona revelações assustadoras.
Chantagens, intrigas, dinheiro e poder. Até onde você iria para salvar a sua própria pele?
O Caçador de Almas vai te conduzir por um dos lados mais obscuros da mente humana, fazendo o leitor questionar a todo momento qual a origem da maldade e o que de fato é certo ou errado. Em um jogo entre inocentes e culpados, convido você, querido leitor a mergulhar nas páginas dessa trama, mas cuidado com as distrações. Onde conseguir? https://tinyurl.com/y3ajrgch Matim-taperê Autor: Rafael Santos Número de páginas: 13 Sinopse: Numa cidadezinha do interior, no norte do país, Dona Esmeralda, uma velha ranzinza e supersticiosa, começa a ser assombrada pelas lendas que ouvia na infância. Parecia só mais uma brincadeira de criança, mas para dona Memê, aquilo era mau agouro.
Quando uma misteriosa pedinte surge no vilarejo, Memê sente que precisa satisfazer, a qualquer custo, sua ânsia por café e fumo. É neste momento que até as coisas mais banais se tornam aventuras aterrorizantes que dona Esmeralda tem de enfrentar, munida de suas crenças e seu humor ácido. Matinta Pereira não é lenda, e no norte todo mundo sabe o destino de quem não lhe paga a prenda. Onde conseguir? https://tinyurl.com/yy88usdg O espantalho Autor: Marcio Pacheco Número de páginas: 31 Sinopse: Há muito tempo, no coração da floresta, nascido do ódio por meio de feitiçaria surge o Espantalho. A cada década ele desperta, destinado a caçar as almas dos inimigos de seu criador. Cego por sua sede de vingança o espantalho ceifará a vida de pessoas inocentes até que a maldição seja quebrada... Onde conseguir? https://tinyurl.com/y2uegkqs Inara Autor: Rafael Santos Número de páginas: 10 Sinopse: Festa Junina.
Bebidas, comidas e fogueira. Fogos, dança, fantasias e olhares... Todos vislumbravam a neta superprotegida de Dona Esmeralda, a noivinha da festa, que todos cobiçavam. Naquela noite, todos queriam Inara.
Jurandir, um forasteiro boa pinta, não foi excessão: aquela moça seria dele, de um jeito ou de outro. O que ele jamais imaginaria é que Inara já não era tão inocente quanto todos pensavam e carregava dentro de si uma mágoa antiga que tornaria aquela noite de São João terrivelmente memorável. Onde conseguir? https://tinyurl.com/yxp2vh9k

Entrevista: L.P. Araujo

L.P. Araujo, uma recifense de 25 anos, encontrou o Coletivo por meio de um grupo no Telegram, e mal podia esperar que seu conto fosse escolhido para ser publicado na primeira coletânea da editora. Seguindo o exemplo da irmã mais velha, que via ficar horas escrevendo desde seus oito anos, ela sempre quis poder contar boas histórias também e levar outras pessoas para outros mundos. “Nossos pais cuidaram de incentivar a leitura para as duas, mas eu só lia por causa dela. E é ela quem revisa meus textos todos e lê tudo primeiro”, contou ela. Amante do FFC (Fantasia e Ficção Científica), o universo desses gêneros também acabam sendo tema na sua escrita. “Inclusive a história de Edgar, personagem do meu conto na coletânea, eu tenho há muito anos. Comecei com uns 13 anos a imaginar esse mundo e alguns dos personagens que quem ler vai acompanhar (Edgar, Xavier e Romina)”, cita ela já dando um gostinho do que está por vir no seu conto. Mas por que contos? L.P. explica: “Acho que como todo autor eu comecei no sonho de escrever um romance inteiro, uma aventura como nenhuma outra, mas a realidade é que pode ser bem difícil esquematizar tudo em um conteúdo tão massivo. Gosto de contos por se tratarem de histórias mais curtas, mais direto ao ponto, sem negligenciar nenhuma mágica. A parte mais difícil, pra mim, é o desapego. Mesmo que o conto esteja perfeitamente concluído, não significa que não precisa haver cortes, certeza de que vai ter coisa que pode ser cortada. O que mais me encanta na escrita é ser capaz de me transportar e transportar outras pessoas para qualquer lugar. Gosto de ser sugada para dentro de uma história e procuro aplicar esse efeito no que escrevo, da melhor forma possível”, disse ela. Sobre o seu processo de escrita, ela relata que costuma esboçar a ordem cronológica de todos os acontecimentos, além de fazer perguntas sobre as personagens e fatos para não perder o objetivo. “Eu crio uma espécie de outline do que deve ir acontecendo e também crio perguntas que podem surgir a respeito da narrativa como a motivação da personagem, onde está uma pessoa ou objeto, e vou me respondendo. Não necessariamente essas respostas entram na narrativa, mas, com elas, consigo ter o contexto necessário para descrever e apresentar a história para quem lê”, explica Araújo. Em Portos Piratas e Pudins Passados, L. P. conta que o primeiro elemento criado da história acabou ficando de fora, mas foi primordial para dar partida na escrita. "As Colhedeiras não estão nesse conto, mas foi a partir delas que comecei a criar o mundo que melhor pudessem acolhê-las, que é esse que estão os Portos Piratas e também os Pudins. Em seguida fiz Edgar, alguém que pudesse explorar comigo cada canto e relatar para o leitor interessado o que viveu ali. Gosto de narrativas íntimas e as histórias de Edgar e Xavier são muito particulares. Existem equívocos da personagem e sentimentos que, geralmente, não são fáceis de compartilhar, como o medo do novo e a saudade do velho", falou ela. Para quem gosta de escrever, Araújo encoraja a mostrar os textos para outras pessoas, sem medo das críticas. "Encontre leitores betas, nunca vai estar pronto se só você ler e reler. Fique atento aos editais para participar de chamadas para publicação, além de apoiar autores nacionais e estudar a escrita", aconselha. O conto Portos Piratas e Pudins Passados de L.P. Araújo está na coletânea Contos do Além-Mundo que reúne contos de 15 novos autores brasileiros e já está disponível para compra aqui no site do Coletivo (clica aqui) e na Amazon (clica aqui).

Papo de qualidade sobre ficção científica no Brasil? Temos!

No final de setembro e início de outubro, a Fiocruz promoveu uma série de palestras online que fizeram parte do II Encontro de Ficção Científica e Ensino de Ciências. A proposta desse encontro é abordar temas da ficção científica e as maneiras o gênero pode promover a educação científica em diversos contextos. Houve uma variedade de temas apresentados, o que deixa claro a riqueza de possibilidades que a proposta do encontro oferece. Tudo isso mediado por mestres nas diversas áreas. O primeiro dia de palestra contou com um panorama geral do surgimento da ficção científica e como ela se apresenta na contemporaneidade. Para aqueles que buscam compreender mais o gênero e suas raízes, é uma boa pedida. Conversou-se também sobre as possibilidades de futuro levantada pela Sci-Fi, bem como os jogos do gênero e sua carga de importância para o ensino científico. Abordou-se a representação da mulher científica, a apresentação de filmes do gênero na escola e até mesmo a tecnologia em animes e mangás, além de outros tópicos. Iniciativas como esta são importantes não só para universalizar o conhecimento sobre o gênero, mas também para mostrar que, apesar de imponente, não é lá algo de outro mundo. E, é claro, é para todos. Agora imaginem um encontro desses rastreando as raízes do gênero no Brasil e como se apresenta atualmente. E aí, Fiocruz, vamos? ;) Para quem se interessar, aqui está o link da playlist do encontro: https://www.youtube.com/playlist?list=PLjJny5p0PcYJjblH3eP1qgffydz55qZsq

Produções brasileiras para você se apaixonar

Por mais que a gente não goste de admitir, há momentos em que, não importa o que se faça, as leituras não andam. Em momentos assim, o terror é real: a certeza de que a ressaca literária veio para ficar se materializa. É fato que esse tipo de situação pode frustrar, principalmente se você já tentou de tudo, desde dar uma pausa na leitura atual até investir em um gênero novo. Por que, então, não fazer da ressaca literária uma oportunidade para ver seus gêneros favoritos interpretados de uma maneira diferente? Neste post, separamos algumas dicas de séries daqueles gêneros pelos quais somos apaixonados – sci-fi, fantasia e comédia – para você decidir qual deles é mais sua cara. 3% A trama se desenrola num cenário pós-apocalíptico no qual o continente, ou o que restou do Brasil, está imerso em extrema miséria e devastação. A única saída para uma vida melhor é participar do Processo, um tipo de competição da qual todo jovem de 20 anos tem a oportunidade de participar, mas apenas 3% dos que tentam sucedem. São provas rigorosas que testam o moral, o físico e o psicológico daqueles que participam, em busca dos mais aptos. No entanto, há muito mais do que uma vida melhor em jogo nessa competição. Onisciente Onisciente nos apresenta uma sociedade em que todo cidadão é filmado vinte e quatro horas por dia por seu drone pessoal. Esse sistema de segurança não só parece ter reduzido drasticamente os crimes como também tem uma eficácia aparentemente indubitável. Contudo, quando seu pai é assassinado e o drone que lhe é designado não registra o incidente, Nina não vê escolha a não ser investigar por conta própria o porquê. Ninguém Tá Olhando Uli, um anjo da guarda novato no Sistema Angelus, acaba se questionando mais do que deveria sobre as ordens que recebe. A arbitrariedade do sistema lhe causa um descontentamento do qual não consegue fugir, então, decide que deve quebrar todas as regras impostas sobre a proteção dos humanos. Spectros Ao serem atraídos acidentalmente para uma realidade do passado da cidade em que vivem, Pardal e seus amigos presenciam crimes bizarros na Liberdade, em São Paulo. O que não esperavam era que espíritos centenários estivessem envolvidos no caso – e que desejavam reparação por erros do passado. Você já conhece algum dos títulos da lista ou se interessou por algum? Conte para a gente nos comentários. E boa maratona! ;)

Entrevista: André Gouvêa

“Acho que sou apaixonado por ler. Escrever é uma consequência inevitável de estar apaixonado por qualquer coisa”, é assim que o autor André Gouvêa define o seu amor pela escrita. Um amor que nasce com o tempo e que pode desabrochar em qualquer fase da vida, a arte de dar vida a histórias, de criar mundos distópicos e brincar com as palavras, encantou o brasiliense André Gouvêa, 28 anos, que conta que começou cedo a se aventurar na criação de enredos, mas só na idade adulta começou a levar mais a sério as suas criações. Ele é um dos autores da primeira coletânea do Coletivo: Contos do Além-Mundo, que já está disponível para compra. Formado em Psicologia pela UnB (Universidade de Brasília), com mestrado em Psicologia Clínica em Cultura e doutorando, também pela UnB, Gouvêa diz que enquanto fazia seu mestrado sobre escrita e psicanálise “sentia um desejo crescente de escrever mais, por mais difícil que às vezes fosse manter o hábito”. “Lembro de um livrinho que eu fiz para um projeto de colégio de quando eu tinha uns 8 ou 9 anos. É a primeira produção da que tenho lembrança, mas acho que por muito tempo eu não levava muito a sério essa coisa de escrever. Quando comecei a compreender que tinha interesse em escrever, já estava na faculdade e tinha um hábito de leitura bastante regular e volumoso”, disse ele. Para ter um contato maior com o seu idioma e se sentir mais próximo da “sua terra”, André conta que apesar de ler um pouco de tudo, há algum tempo tem se interessado especialmente pela literatura latino-americana e de língua portuguesa. “Sinto que a literatura latino-americana é marcada por um realismo mágico sensacional, coisa que vemos também em algumas tendências da literatura de língua portuguesa”, contou ele. Sobre a escrita André conta que com o ritmo de trabalho intenso demora mais para terminar de escrever, mas enxerga a delonga como um tempo para amadurecer a história que ele quer contar. Ele gosta de escrever seus contos de uma só vez, sem interrupções e, mesmo quando elas ocorrem, volta a escrever sem ler o que estava escrito antes. “Geralmente, eu sou acometido de alguma imagem ou ideia provocativa. Isso, de alguma forma, insiste em mim e eu sinto que há alguma coisa para ser contada. Eu gosto de começar a escrever as histórias no papel, tenho até um caderno para isso. Pra mim, é muito importante que nesse início eu possa ter meu corpo inteiro envolvido no ato da escrita, o tato, a caneta, o cheiro, tudo. Não costumo ficar matutando muito, escrevo. Deixo umas semanas ou meses de lado e depois pego pra passar pro computador. O desafio começa na primeira frase. Eu me preocupo muito com a primeira frase, se não for a frase certa o texto não vem”. Por que contos? Apaixonado por contos e novelas, com um romance inacabado e um punhado de poesias, contos são o que André se sente mais confortável em escrever. “Vou atrás dos livros que me fazem sentir alguma coisa. Gosto de pensar que escrevo algo que faz sentir também. O romance me parece muito pretensioso às vezes, eu sinto que tenho que ser muito organizado e controlador para criar aquela obra e eu não sou muito fã de uma escrita controlada, prefiro algo que me escapa. Nesse aspecto o conto é o formato perfeito.” Uma dica fundamental que André dá para quem quer escrever, além do ato da escrita em si é a leitura. “Escrever sempre, sobre qualquer coisa, sem pretensão de escrever algo de bom, é como podemos, eventualmente, escrever algo muito bom. E toda escrita se inicia num ato de leitura, seja ele qual for. Quando olhamos pro mundo ao nosso redor, estamos lendo tudo, então é nesse momento que precisamos ser ativos, fazer uma leitura intencional e política da vida ao nosso redor. Quando chega a hora de escrever, temos que abrir mão de nós mesmos. A linguagem e o texto é sempre muito maior do que a gente e nossas intenções”. Sobre A Era dos Princípios A Era dos Princípios será a segunda publicação do autor, que conta que só após o mestrado começou a levar um pouco mais a sério a sua produção e a buscar espaços para publicação. “Não sei se sou apaixonado pela literatura tanto quanto sinto necessidade dela. Talvez, escrever também seja consequência de não saber o que é escrever, então vou tentando”, disse. “A Era dos Princípios surgiu no início de um novo caderno, em 2018. Eu estava pensando sobre o que poderia ser uma boa primeira frase para um caderno. A imagem do encontro final me veio e a primeira frase pareceu se mostrar. Pra mim ele fala de questões fundamentais da vida, da necessidade do outro, da displicência de acreditar que nossa concepção e o que pode reger o mundo. É uma provocação enorme, então quando eu leio eu sempre me pergunto como eu estou me colocando nas minhas relações. E o cenário bíblico foi a forma de deixar mais provocante ainda, interrogar a concepção religiosa com uma visão talvez mais moderna e mais necessária para o mundo atual”. A coletânea Contos do Além-Mundo, que já teve sua capa revelada e está disponível para compra, reúne contos de 15 novos autores brasileiros. Saiba mais sobre o livro clicando na imagem:

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