Antologias e Coletâneas: um ponto de partida, múltiplos olhares

Se você já segue a gente há um tempinho, sabe que recentemente abrimos o edital para a nossa primeira coletânea intitulada “Contos do Além-mundo.” Diante dessa proposta, você pode até pensar: por que coletânea e não antologia? A verdade é que a linha que demarca o limite entre as duas é tênue, mas, por mais fina que seja, existe. Quer descobrir qual é? A gente te conta! Para responder a essa pergunta, precisamos viajar um pouco no tempo até a Grécia Antiga, onde o termo anthologia surgiu e que significava “coleção ou conjunto de flores”. Originalmente, o termo fazia parte da botânica e correspondia ao agrupamento e estudo minucioso de diversas flores selecionadas pelo observador. O primeiro uso dessa palavra, no sentido literário, também ocorreu na Grécia Antiga, e foi por meio de Meléagro de Gadara, poeta que compilou a primeira antologia poética conhecida no ocidente: a Antologia Grega, lá por meados do século I a.C. No século XVII surge um sinônimo adaptado diretamente da origem etimológica de “antologia”: florilégio que, em linhas gerais, refere-se a uma compilação de flores ou uma coleção dos melhores recortes de uma obra maior, portanto já existente. E é aí que podemos resgatar a origem de uma das primeiras diferenças entre antologia e coletânea, e talvez a mais marcante. Em uma antologia são publicados textos já conhecidos pelo público, podendo, portanto, ter composto outros livros. Já na coletânea, entretanto, temos textos inéditos. É claro que, nos dias de hoje, as linhas entre os dois termos estão ligeiramente borradas, e não é escrito em pedra que só apareçam textos anteriormente publicados numa antologia – o que nos leva à próxima diferença: antologias são compostas por autores já consolidados no meio literário. Autores novos, que trazem novos olhares e novos trabalhos, compõem as coletâneas. É mais comum, por exemplo, ver antologias de um único autor – exemplo disso são as de H. P. Lovecraft e Edgar Allan Poe. Mas se entre os dois termos há diferenças, temos muito mais semelhanças que os aproximam: ambos se referem à compilação de textos que podem tanto ser em prosa ou versos e que têm em comum um tema ou período histórico escolhidos, arbitrariamente, pelo organizador responsável. Seja antologia ou coletânea, seja de um autor famoso ou de um que ainda teremos o prazer de conhecer, a riqueza de obras como essas é inegável, principalmente quando se escolhe um tema comum a sua unidade – que, aliás, é a forma mais selecionada por editoras para se organizar um volume. A pluralidade que um tópico pode assumir visto por diferentes perspectivas de diversos autores é o elemento mais marcante, além, é claro, das múltiplas formas de se narrar e de se construir mundos com uma temática e, muitas vezes, elementos comuns. Aqui, separamos algumas antologias e coletâneas que valem a pena serem lidas: Mulheres Perigosas, organizada por ninguém menos que George R. R. Martin. Vilãs, organizada por Clara Madrigano. Magos. Histórias de Feiticeiros e Mestres do Oculto, organizada por Ana Lúcia Merege. Referências: Moncks, Joaquim. Antologia e Coletânea – uso e significado. https://www.recantodasletras.com.br/dicas/4458236

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