Livros não deveriam ser um artigo de luxo, livros são um direito! #defendaolivro

"Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” – Mário Quintana

Já rolou um post sobre esse assunto no Instagram do Coletivo (clica aqui para seguir a gente lá), mas é necessário me aprofundar mais no tema e explicar o porquê eu acredito que você deveria – se ainda não o fez – assinar e compartilhar o abaixo-assinado #defendaolivro (link aqui).


Leiam o texto. Se informem. Usem a #defendaolivro!

Semana passada todos nós vimos uma grande comoção nas redes sociais por causa de uma nova proposta de tributação apresentada pelo Ministério da Economia. E por que isso seria um problema? Os livros, hoje, são isentos de impostos (e isso vem assim desde 1940 e essa decisão foi corroborada pela Constituição de 1988) e, com essa reforma, o livro passaria a ser taxado em 12%.


Olhando assim, de forma abstrata, parece não ser muito, mas aí é que as coisas ficam mais complicadas. A Editora Wish fez, para exemplificar como isso impactaria o lançamento de um livro, uma série de posts no Twitter (link aqui):


Se vocês já conhecem algo do mercado editorial, talvez já tenham pensado nisso, mas se não, deixo aqui mais uma informação: o Estado ganharia mais que o autor do livro (que ganha perto de 10% aqui no Brasil).


Com essas informações já fica claro que um imposto desse atingiria toda a cadeia de produção e quem vai pagar o preço dessa alteração é o leitor. As editoras não têm como manter os preços praticados hoje e arcar com mais 12% de tributação. Posso fazer um post falando, na prática, sobre precificação, lucros, direitos autorais e tudo mais, mas adianto que o mercado editorial é feito de trocados e, dificilmente, uma empresa conseguiria absorver essa taxação sem repassar o valor para o consumidor.


E tudo fica pior: o mercado editorial está começando – ênfase no começando – a sair de uma das maiores crises que já houve no segmento. Incontáveis lojas e editoras fecharam, os leitores estão comprando cada vez menos livros, negócios vem tentado se reinventar de mil formas para manter suas portas abertas e todos os funcionários que fazem parte da cadeia de produção empregados. Como um mercado que está funcionando aos trancos e barrancos acomodaria um aumento desse? Te respondo: não acomodaria.


Políticas envolvendo os livros deveriam existir para garantir acesso à literatura a cada vez mais pessoas. O que essa reforma fará é exatamente o oposto. É uma forma de tornar a cultura cada vez mais inalcançável para grande parte da população brasileira. E não, a solução não é deixar na mão do Estado a distribuição de livros para pessoas menos favorecidas (me pergunto quais tipos de livros seriam distribuídos...).


Olha esses dados: você sabia que 1/3 da população brasileira diz nunca ter comprado um livro? Que a média de livros lidos por ano é 4? E, se falarmos de livros lidos até o fim, esse número cai pela metade? Com esses dados, como podemos pensar em onerar ainda mais um bem tão precioso? Deveríamos estar pensando em incentivar a leitura, produzir literatura de qualidade e com preços acessíveis, novas formas de possibilitar o acesso aos livros para todas as pessoas.