Vamos juntes: algumas reflexões (não tão novas) sobre a linguagem neutra

Atualizado: 30 de mar. de 2020

Se você tem andado por esses cantões da internet, já deve ter visto em algum tweet ou texto do Facebook o aparecimento de expressões como "tod@s" ou "todxs". Ultimamente, muitos "todes" têm surgido por aí, e há quem estranhe esse uso por não saber do que se trata – há, também, aqueles que debatem acaloradamente contra tal utilização. Mas de onde veio? Como surgiu? Para que serve?


Por mais que gostemos de pensar o contrário, a verdade é que muita gente ainda não está familiarizada com pautas das lutas feministas ou da comunidade LGBTQI+. E esse pode ser o caso do gênero neutro, linguagem neutra ou não-binária.


Então, já que as primeiras coisas vêm primeiro, como se gosta de dizer, vamos ao início: o que é essa linguagem neutra?


Quando nos referimos à linguagem neutra ou não-binária, estamos falando dos recursos utilizados para a construção de um discurso neutro e que contemple, de fato, todos os interlocutores. Tais recursos vão desde o uso de epicenos, de forma a evitar o plural muitas vezes realizado no masculino, às palavras que não precisem do uso do artigo determinante e, portanto, essencialmente binário, ao menos na Língua Portuguesa, que divide-se em apenas dois gêneros: masculino e feminino.


  • Cabe aqui uma rápida explicação sobre o termo não-binário (ou não-binarie).

Bandeira do orgulho não-binário

A não-binariedade ou identidade não-binária é um daqueles termos que conhecemos como “guarda-chuva”, pois engloba diversas identidades dentro do espectro de seu significado, e refere-se àquelas identidades de gênero que não se restringem apenas ao feminino ou masculino, fugindo, portanto, da binariedade de gênero. Vale ressaltar que existe diferença entre gênero biológico, aquele identificado no nascimento com base nas genitálias do bebê, e a identidade de gênero, que diz respeito à autopercepção que cada um de nós tem.

A partir das percepções diversas e particulares em relação à forma de se expressar enquanto ser de todo um grupo, nasce a necessidade de uma linguagem adequada para referir-se a essas pessoas. E é nesse sentido que também surge a tentativa de se expressar um gênero neutro com os “x”, “@” e “e” que vemos por aí.


Pense você que quisesse dizer algo sobre si próprio, ou talvez quises