Entrevista: Micael Bretas


Foto disponibilizada pelo autor

Micael Bretas, autor do conto A mulher que matou o topshooter, publicado na coletânea Contos do Além-Mundo, conta que começou a escrever na escola, ainda criança, mas antes de se apaixonado pela literatura, ele era apaixonado por história no geral.


“Acho que minha memória mais antiga de algo que escrevi é de uma autobiografia na segunda série, quando eu tinha oito anos. A professora fez um elogio público do meu texto, e eu percebi que gostava de escrever e talvez tivesse alguma vocação. Sempre li muito gibi, mas não tantos livros. Comecei a me interessar então por crônicas. Lia crônicas do Fernando Sabino, Carlos Drummond, e do meu autor preferido na época: Luís Fernando Veríssimo. Li muito Comédias da Vida Privada entre os dez e os onze, e gostava de tentar escrever como ele, com cenas curtas e cheias de diálogo”, lembra o autor.


Com textos espalhados pela internet, em blogs e outros, e um curta publicado em uma revista, A mulher que matou o topshooter é a sua primeira publicação em livro. “Antes de gostar de ler, era apaixonado por assistir.” Formado em jornalismo, Micael queria trabalhar com cinema ou TV, pensou em ser roteirista, mas se interessou mais em criar um produto artístico do começo ao fim. “Para fazer qualquer tipo de produção audiovisual é necessário muito dinheiro e gente qualificada e afinada. Ainda é algo que me fascina, mas percebi que é uma área cheia de limitações práticas. Na literatura, ao terminar meu trabalho, tenho um produto finalizado, pronto para ser apresentado ao público. Entendo a arte como um processo de comunicação e troca, uma maneira de dizer o indizível, uma proposta de reflexão conjunta. Claro, ainda existe a figura da editora, que media esse acesso. Mas é muito mais simples do que toda a cadeia necessária para viabilizar um produto audiovisual. Além disso, o mais divertido é que quando estou escrevendo literatura não tenho que me preocupar com restrições de orçamento”, contou Micael.


Atualmente, Micael está escrevendo o seu primeiro romance, mas adianta que o processo é demorado. “Estou há dois anos com esse projeto, e acho que ainda demoro pelo menos mais um, possivelmente mais”, relatou ele, que quando viu a proposta do Coletivo, quis criar um conto original e situá-lo no contexto do livro que vem trabalhado. “A escrita do conto em si levou cinco dias, mas não poderia ter acontecido se não fossem os dois anos de planejamento para criar esse universo”.


Para escrever

Micael relata que começar a escrever e ter um trabalho finalizado pode ser caótico, mas é preciso continuar e ter disciplina para escrever todos os dias. “Uma grande epifania minha foi notar que a melhor forma de lidar com a escrita é tratá-la como uma escultura. Primeiro você cria um bloco disforme, o seu primeiro rascunho. Ele é intuitivo, passional, talvez até visceral. É mal escrito, mal construído, mas é, me parece, o único ponto de partida possível. E então começa o trabalho de reescrita, de esculpir o que vai ser o produto final. Escrever é reescrever. É um trabalho de formiga, e demanda resiliência. Sinceramente, os dias em que escrever é doloroso e difícil são mais numerosos pra mim do que os outros. Mas quando é bom, é muito bom, e parece compensar todo o resto. Ter algo finalizado nas mãos e mostrar para os outros então, é um prazer indescritível”.



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